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O JORNALISTA PLÍNIO LINS INICIA “FORA DE PAUTA” EM 2012

 

 

 

No próximo dia 12 de janeiro de 2012 tem inicio no Barroco Comedoria no Jaraguá o projeto “Fora de Pauta” comandado pelo Engenheiro Agronômo Mário Agra. Trata-se de um projeto que tem o objetivo de envolver jornalistas alagoanos em uma série de debates e entrevistas.
No jornalismo político podemos dizer que os jornalistas estão ao comando de tudo, sempre na espreita com o olhar fixo e o faro bem apurado à procura de uma boa pauta, sempre à procura de um assunto polêmico, um furo de reportagem, uma informação valiosa e principalmente uma pergunta constrangedora…
Geralmente os políticos são o alvo principal, estão sempre na mira de uma caneta ferina, de um texto mortífero que sem rodeios traz à tona os principais acontecimentos da história atual. Mas, e se os papéis fossem trocados?
Essa é a proposta do projeto “Fora de pauta”, um projeto diferente, descontraído, que trará semanalmente um jornalista para o centro da “arapuca” armada pelo engenheiro Agrônomo Mário Agra no Barroco Comedoria localizado no boêmio bairro do Jaraguá. Quem diria… Os jornalistas dessa vez serão o prato principal, tendo que responder as perguntas de um político.
O primeiro entrevistado será o jornalista Plínio Lins, pioneiro em projetos desse tipo em Alagoas com o “Conversa de Botequim”, Plínio é dono de um dos textos mais respeitáveis da imprensa alagoana.
Plínio foi boêmio, aventureiro, Bancário, militante do PCdoB, assessor parlamentar de Renan Calheiros e posteriormente Eduardo Bomfim, participou juntamente com Cláudio Humberto Rosa e Silva da coordenação de campanha de Fernando Collor para governo de Alagoas e também fez parte da equipe de comunicação na campanha de Lula em 89 e ainda foi Secretário de Comunicação do Prefeito Djalma Falcão.
A entrevista será no restaurante “BARROCO” na Rua Sá Albuquerque, em Jaraguá e acontecerá a partir das 20h, o bate-papo contará ainda com a  participação especialíssima do compositor Herman Torres e do ator e poeta Chico de Assis.                                                                                           Mário Agra comandará o bate-papo da noite e em seguida os presentes também poderão fazer suas perguntas a Plínio Lins. “Será um bom momento para perguntarmos o que ele nunca disse em público” afirma o Engenheiro Mário Agra.
Até agora, além de Plínio Lins, já confirmaram os seguintes jornalistas e radialistas: Joaldo Cavalcante; Antônio Pereira; Marcelo Firmino; Roberto Vila Nova; Jorge Oliveira; Ricardo Mota; Valdice Calheiros; Luiz Dantas; Ênio Lins; Zé Elias; Eliane Aquino; França Moura; Fátima Almeida; Edvaldo Júnior; Gorete Pompe; Canetinha; Odilon Rios; Luis Vilar; Manoel Miranda; Marcos Rodrigues; Antonio Sapucaia, Flávio Gomes de Barros; Antonio Torres; Miguel Torres; Maresia; Luiza Barreiros entre outros.

O quê? Projeto “Fora de Pauta” com Mário Agra e Plínio Lins
Onde? Barroco Comedoria no Jaraguá
Quando? 12 de Janeiro a partis das 20h.
A entrada é gratuita!

CHAPEU DE COURO

O OTIMISMO… E CERTO PAÍS DA ÁFRICA

 

Tonho Guerreiro

 

Tenho um amigo nascido em certo país da África. Às vezes me pergunto: será que ele tem condições objetivas, para ser um otimista?

 

Penso que sim, desde que existam motivos concretos para tanto. Com as informações que ele me passou sobre o seu país, analisei os seus motivos para ser um otimista. É um fato, que o país africano no qual o meu amigo nasceu, tem um território imenso, muitas riquezas naturais, uma natureza maravilhosa e um povo fantástico. Mas…

 

O tal país africano foi colonizado por uma antiga potência européia, uma das donas do mundo, na sua época. Durante o período colonial, esta potência saqueou vorazmente todas as riquezas do país. Destruiu as florestas. Escravizou e exterminou a população nativa. Os negros, por serem negros, não eram considerados humanos e sim animais de carga e trabalho. Escravizados, eram a única mão de obra de toda a produção agrícola, desse país da África.

 

A colonização não deixou absolutamente nenhum traço positivo para o futuro desse país africano e sim uma cultura de corrupção, empreguismo e privilégios, enraizada na elite dominante. E o aumento populacional multiplicou o número de pobres, analfabetos e sem acesso à educação. Só a elite teve acesso aos estudos. E mesmo assim, estudos mal direcionados: a mediocridade colonial, fez com que, nos últimos trezentos anos, as faculdades desse país formassem milhões de bacharéis, com emprego certo na máquina burocrática pública, na política e nos tribunais. As graduações em ciências exatas foram relegadas a um distante segundo plano. Nestes últimos trezentos anos, esse país da África, nunca valorizou a tecnologia. A Física, a Matemática, a Química foram ciências esquecidas nas universidades.

 

Como resultado, esse país sempre se ressentiu da falta de grandes cientistas e pesquisadores. De engenheiros, físicos e matemáticos. O país é a Terra do Nunca. Nunca teve grandes inventores, nunca se soube de qualquer descoberta relevante ou fundamental, criada por seus cientistas e também nunca se soube de nenhuma patente revolucionária registrada no país. Nunca ganhou e provavelmente nunca ganhará um Prêmio Nobel. Nunca houve a criação de qualquer obra, teoria ou corrente de pensamento científico, decisiva para a trajetória do homem, no Planeta Terra.

 

Até hoje, sua economia é baseada na exportação de matérias primas. Vende para os gringos, minério de ferro a preço de banana. E os gringos transformam o minério em produtos de tecnologia avançada, que vendem de volta, ao país, por preços cinqüenta vezes maiores. O desprezo pela ciência e tecnologia levou à ausência de desenvolvimento, de inovação e de produtividade. A grande herança cultural, de costumes e de mentalidade, que a colonização deixou, foi o clima de salve-se quem puder, que se tem hoje nesse país africano.

 

Não se sabe hoje, nas altas esferas desse país, o que é patriotismo, decência, seriedade, competência e capacidade gerencial. Nos negócios, nas empresas, nos três poderes, nos governos que se sucedem: de direita, de centro, de esquerda. A regra é uma só: vamos aproveitar. Para uma minoria privilegiadíssima, o otimismo é um fato concreto. A antiga elite dominante, dos tempos coloniais, transformou-se hoje, em várias “elites”. Todas muito bem de vida. Nas capitais dos estados, nesse país da África, têm-se imóveis com preços por metro quadrado igual aos preços de Nova York, Londres, Paris, Cingapura, Dubai. Todos vendidos. Praias maravilhosas, com resorts fantásticos e diárias para milionários árabes. Todos lotados. Lojas luxuosas, com preços estratosféricos, sempre cheias de ávidos consumidores. Nas alamedas e nas avenidas ajardinadas dos bairros nobres, deslizam carros que são verdadeiros palácios móveis. Alguns, com preços de apartamentos de luxo. E todos, com longas filas de espera, nas concessionárias.  As viagens internacionais batem recordes. Os nativos ricos desse país africano adoram viajar. E sempre para destinos caríssimos e muito chiques. E haja otimismo!

 

O que incomoda e muito, as “elites”, nesse país africano, é a existência… do povo. Para estas “elites”, não fosse o povo, esse país seria uma maravilha. O povo é feio, analfabeto e sem estilo. No povo, existem até marginais! Vêm do povo, os assaltantes, os seqüestradores, os ladrões de banco. O povo nunca terá uma boa educação. As “elites” acham que, como o nível das escolas públicas implantadas pelos governos, é uma piada de mau gosto, o povo se aproveita disso para se deixar ficar na ignorância eterna. E eterna, será a sua condição de só trabalhar em subempregos. Acham que no povo, sempre haverá muita gente que se deixará matar pelo álcool, pela maconha, pelo crack. E sempre estarão morando em favelas imundas, morrendo aos milhares, nas enchentes, inundações e desabamentos. E os que escapam, sempre voltam a morar nestes mesmos lugares horríveis. Assim, acham que o povo não aprende. E o povo é a maioria esmagadora, da população desse país africano. E esta maioria, cresce em proporções geométricas. Quanto mais sofrem com a miséria, com o crime, com a droga, com as doenças, com o descaso e a roubalheira desenfreada do “sistema”, mais procriam, mais colocam filhos sem futuro, nesse país sem futuro. Se o povo continuar crescendo desse jeito, chegará o dia em que todas as suas “elites” reunidas, irão caber numa Kombi. Coisas de um país que teve a má sorte de se situar na África.

 

E o otimismo?

 

Sejamos otimistas, então. E neste caso sou obrigado a fazer aqui, duas observações. Na primeira, faço uma defesa das “elites”: apesar de meterem o pau no povo, elas, na verdade, lhe são muitíssimo gratas. Reconhecem, para alegria geral que afinal, é o povo, esse povo tão mal falado, quem elege os políticos escolhidos pelas próprias “elites”, para representar e lutar pelos interesses… delas. E só delas.

 

Assim, de maneira “desinteressada” e otimista, viva o povo!

 

A segunda observação é a respeito deste texto. Iniciei-o com a frase: “Tenho um amigo nascido em certo país da África.”.

 

Permiti-me, usando uma espécie de “licença ficcional” (se é que isto existe), manter esta localização geográfica: África, até aqui.

 

Mas… e se for preciso mesmo, ser um otimista?

 

Então, esse país no qual o meu amigo nasceu não seria na África.